quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Emprego_o que esperar da empresa

O que você espera de uma empresa?


Uma das preocupações das empresas hoje são as estratégias que podem (ou devem!) usar para reter seus funcionários, principalmente os que têm talento – a alta rotatividade tem um custo alto e um forte impacto: as pessoas já não são motivadas pelos mesmos estímulos de antigamente.
Houve um tempo em que as empresas acreditavam que para reter seus melhores funcionários era preciso oferecer os melhores salários. E ponto.
Vieram então os planos de carreira. Depois, a fase dos benefícios (cartão corporativo, carro, bônus, viagens, etc). O problema é que quanto mais as empresas ofereciam, mais precisavam oferecer aos empregados disputados por outras empresas.
E a fase da motivação, então? Sei de empresas que providenciavam todo tipo de palestras, games, imersões... tudo para despertar a motivação em seus funcionários. Ocorre que a informação é passageira, o entusiasmo dura uma semana, e tudo volta a ser como antes.
E você? Sabe o que espera encontrar em uma empresa? Qual a sua expectativa? O que tem a oferecer, e o que quer receber? Um bom salário? Plano de Carreira? Benefícios? Ou isso tudo e um pouco mais? Para você basta um emprego?
O que, exatamente, você quer?
Se souber será bem mais fácil procurar a empresa onde quer trabalhar. Principalmente se pensar que passa 1/3 dos seus dias (8 horas no mínimo) no seu trabalho! Exatamente. E passa mais 1/3 (mais 8 horas) dormindo – o que sobra (mais 8 horas) você usa para se locomover, cumprir obrigações pessoais e familiares, estudar e, quando dá, se divertir. É muito tempo dentro de uma empresa para não levar a sério.
A maioria das pessoas está em busca de algo muito além do emprego. Elas estão em busca de um significado, de propósito – não querem apenas trabalhar, mas fazer a diferença e contribuir para mudar o mundo com seu trabalho. O que elas querem é gerar lucro, ter a recompensa, mas ao mesmo tempo causar impacto na sociedade em que atuam. Em outras palavras, fazer algo que faça a diferença para o maior número possível de pessoas.
Reflexo dessa era veloz que vivemos, onde o acesso à internet nos conecta rapidamente com o mundo todo. Nunca houve tanta necessidade de saber, conhecer – ainda que superficialmente – todos os assuntos; nunca se fez tantos questionamentos e nunca foi tão grande a necessidade de fazer parte de uma comunidade global, com suas maravilhas, mas também com suas dores.
Por volta de 3 bilhões de pessoas têm acesso à internet no mundo, sendo mais de 85 milhões só no Brasil: isso muda a forma com que nos relacionamos com as pessoas, com a família, com a vida – e com a empresa.
Conhecer os valores da empresa, não os que estão registrados em seu plano de negócios, mas aqueles que ela pratica efetivamente no dia a dia; compartilhar propósito e acreditar que pode envolver-se para criar resultados significativos, pode fazer toda a diferença na sua vida profissional.
Se você é uma pessoa disposta a aprimorar-se constantemente; tem alto desempenho; é competente e comprometida; atua bem em equipes; tem altos padrões culturais e pessoais; adapta-se; é inteligente; sabe pensar e criar soluções inovadoras – um talento, enfim – selecione a empresa onde quer trabalhar. Não seja apenas selecionado.
Com base na minha experiência em desenvolvimento humano, considero que são seis os pilares principais de uma boa organização para se trabalhar. São aspectos que refletem os valores que são praticados pela empresa e que você pode levar em consideração para escolher o próximo lugar onde vai passar a maior parte do seu tempo:
- O primeiro pilar é a Cultura da empresa – conheça seu posicionamento, política, atitudes, valores e veja se é possível sentir-se parte dela e responsável pelos resultados finais.
- O segundo pilar é a Comunicação – transparência e compartilhamento de informações são fatores decisivos para que se sinta incluído.
- O terceiro pilar é a Liderança – o estilo de liderança afeta em até 70% o clima organizacional, portanto vale a pena saber quais os critérios da empresa para eleger líderes e chefias.
- O quarto pilar é a Oportunidade – quando a empresa acredita no potencial das pessoas dá a elas uma visão de futuro e oferece condições para que elas se desenvolvam.
- O quinto pilar é o Ambiente – informe-se sobre o sentimento das pessoas em relação ao ambiente, se as atitudes são positivas e os funcionários ouvidos e respeitados.
- Finalmente, o sexto pilar, é o Propósito – pergunte-se o que a empresa pode oferecer a você, além do trabalho, que tenha um significado importante para sua realização.
Não se preocupe – isso não é utopia! Nos últimos anos as empresas estão bastante envolvidas com as mudanças que podem promover para atrair e reter os melhores profissionais: é uma questão de negócio. Hoje já se sabe que a felicidade dos empregados tem um impacto direto sobre a sua produtividade. Portanto, sobre os lucros.

Música_Quanto Tempo Demora um Mês (Biquini Cavadão)


Biquini Cavadão - Quanto Tempo Demora um Mês
Compositor: Alvaro, Bruno, Miguel, Coelho, Gian Fabra


Acordei com o seu gosto
E a lembrança do seu rosto
Porque você se fez tão linda

Mas agora você vai embora
Quanto tempo será que demora
Um mês pra passar

A vida inteira de um inseto
Um embrião pra virar feto
A folha do calendário
O trabalho pra ganhar um salário

Mas daqui a um mês 
quando você voltar 
A lua vai estar cheia 
E no mesmo lugar 

Se eu pudesse escolher 
Outra forma de ser 
Eu seria você 

E a saudade em mim agora 
Quanto tempo será que demora 
Um mês pra passar 

Ser campeão da copa do mundo 
Um dia em Saturno 
Pra criança que não sabe contar vai levar um tempão 

Daqui a um mês 
quando você voltar 
A lua vai estar cheia 
E no mesmo lugar

Música_Talvez (Ana Vilela)

Talvez – Ana Vilela

Estive pensando em escrever sobre os motivos
Pelos quais eu gosto tanto de você.
Talvez seja sua risada exagerada, 
Ou esse jeito todo fofo de escrever.
Talvez eu goste de você pelo sorriso
Que você dá quando atende o celular.
Ou talvez seja pelo jeito que você me irrita 
Falando sobre aquele livro lá.

A insistência pra eu torcer pelo o seu time,
Todo esse amor pelo Gregório e a Clarice.
Esse mau humor matinal que você tem,
Ou essa camiseta azul do Superman.
Talvez eu nem precise de motivos para amar você,
Eu nunca precisei de muita coisa pra te querer.

E eu sei, não preciso de razões ou de motivos
Pra te amar e te querer aqui.
Mas talvez eu te ame tanto assim
Apenas pelo jeito que você sorri.
E eu sei que no final essa distância não vai importar,
Porque você é o alguém que eu escolhi para amar.
E por mais que isso demore o tempo vai passar
E por todos esses motivos eu vou te esperar.

E eu pensei tanto assim nesses motivos,
Que acabei esquecendo de me lembrar
Que eu não preciso mesmo de nenhum pretexto
Ou qualquer razão que me faça te amar.
Porque eu sei que eu te amo desse jeito,
Todo assim perfeitamente imperfeito.

Mas tudo bem se alguns motivos me ajudarem a te amar
E te querer assim por inteiro.
Como a insistência para eu torcer pelo o seu time,
Todo esse amor pelo Gregório e a Clarice.
Esse mau humor matinal que você tem,
Ou essa camiseta azul do Superman.
Talvez eu nem precise de motivos para amar você,
Eu nunca precisei de muita coisa para te querer.

E eu sei, não preciso de razões ou de motivos
Para te amar e te querer aqui.
Mas talvez eu te ame tanto assim
Apenas pelo jeito que você sorri.
Eu sei que no final essa distância não vai importar,
Porque você é o alguém que eu escolhi para amar.
E por mais que isso demore, o tempo vai passar.
E por todos esses motivos...

E eu sei, não preciso de razões ou de motivos
Para te amar e te querer aqui.
Mas talvez eu te ame tanto assim
Apenas pelo jeito que você sorri,
Eu sei que no final essa distância não vai importar,
Porque você é o alguém que eu escolhi para amar.
E por mais que isso demore, o tempo vai passar.
E por todos esses motivos eu vou te esperar.

Música_Trem-Bala (Ana Vilela)


Trem - Bala



Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorrindo a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Música_Que amor bonito (Thiago Grulha)


Que amor bonito (Thiago Grulha)


Ele é discreto e quase sempre resumido no que diz
 E ela não perde nenhuma chance de mostrar que é feliz
 Ele é claro, objetivo e consegue se explicar
Dá pra ver que eles se amam
E ela é claro, é um mistério que ele ama desvendar
  Que se completam pra valer Os amigos sempre falam Que amor bonito de se ter
Que amor bonito de se ter
Dá pra ver que eles se amam Que se completam pra valer Os amigos sempre falam
  E eles cantam, cantam tão lindo, cantam sempre com amor
Eles confiam e dia a dia com Jesus irão viver
E o que cantam, revela sempre a bondade do senhor E de mãos dadas vão caminhando pra o futuro que Deus vê
  Dá pra ver que eles se amam Que se completam pra valer Os amigos sempre falam Que amor bonito de se ter
E quando se abraçam
Dá pra ver que eles se amam Que se completam pra valer Os amigos sempre falam Que amor bonito de se ter
  Os mundos se aproximam E é só risada e brincadeira Amor pra vida inteira Dá pra ver que eles se amam
Que amor bonito!
Que se completam pra valer
 Os amigos sempre falam
Que amor bonito
Que amor bonito
 
 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Rubem Alves_frases-poemas



















Rubem Alves



"Há pessoas que nos fazem voar. A gente se encontra com elas e leva um bruta susto (…) elas nos surpreendem e nos descobrimos mais selvagens, mais bonitos, mais leves, com uma vontade incrível de subir até as alturas, saltando de penhascos… Outras, ao contrário, nos fazem pesados e graves. Pés fincados no chão, sem leveza, incapazes de passos de dança. Quanto mais a gente convive com elas mais pesados ficamos…"               Rubem Alves


Monteiro Lobato e o Dia do Livro Infantil

Dia 18 de abril – Nasce Monteiro Lobato. É o dia do Livro Infantil

Monteiro Lobato  
Foi, sem duvida, um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, especialmente pelas obras infantis e personagens que marcaram a infância de várias gerações. Quem não conhece a Emilia, a Narizinho, o Visconde de Sabugosa e tantos outros personagens antológicos que viviam no "Sítio de Pica-pau Amarelo" e invadiram a imaginação das crianças. 
 
Seu desejo de "fazer livros onde as crianças possam morar" foi realizado, e, seus personagens ficaram íntimos de quase todos os brasileiros que sabem ler. Seus livros foram lidos na infância, mas suas histórias moram na memória de todos nós. 
 
O Instituto Pró-Livro não poderia deixar de homenagear esse educador e escritor, entre tantas outras atuações marcantes, que sintetizava em uma frase celebre tudo o que pensamos: "Um país se faz com homens e livros" 

Segue breve biografia, para conhecer um pouco mais sobre esse homem que provocou nossas fantasias, quando crianças:  
Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor brasileiro. "O Sitio do Picapau Amarelo" é uma de suas obras de maior destaque na literatura infantil. Foi um dos primeiros autores de literatura infantil em nosso país e em toda América Latina. Tornou-se editor, criando a "Editora Monteiro Lobato" e mais tarde a "Companhia Editora Nacional". Metade de suas obras é formada de literatura infantil. 

Monteiro Lobato (1882-1948) nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé. Desde menino já mostrava seu temperamento irrequieto, escandalizou a sociedade quando se recusou fazer a primeira comunhão. Fez o curso secundário em Taubaté. Estudou no Instituto de Ciências e Letras de São Paulo. 

Ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco na capital, em 1904. Na festa de formatura fez um discurso tão agressivo que vários professores, padres e bispos se retiraram da sala. Nesse mesmo ano voltou para Taubaté. Prestou concurso para a Promotoria Pública, assumindo o cargo na cidade de Areias, no Vale do Parnaíba, no ano de 1907. 

Monteiro Lobato casou-se com Maria Pureza da Natividade, em 28 de março de 1908. Com ela teve quatro filhos, Marta (1909), Edgar (1910), Guilherme (1912) e Rute (1916). Paralelamente ao cargo de Promotor, escrevia para vários jornais e revistas; fazia desenhos e caricaturas. Ficou em Areias até 1911, quando se muda para Taubaté, para a fazenda Buquira, deixada como herança pelo seu avô. 

No dia 12 de novembro de 1912, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma carta sua enviada à redação, intitulada "Velha Praga", onde destaca a ignorância do caboclo, criticando as queimadas e que a miséria tornava incapaz o desenvolvimento da agricultura na região. Sua carta foi publicada e causou grande polêmica. Mais tarde, publica novo artigo "Urupês", onde aparece pela primeira vez o personagem "Jeca Tatu". 

Em 1917 vende a fazenda e vai morar em Caçapava, onde funda a revista "Paraíba". Nos 12 números publicados, teve como colaboradores: Coelho Neto, Olavo Bilac, Cassiano Ricardo entre outras importantes figuras da literatura. Muda-se para São Paulo, onde colabora para a "Revista do Brasil". Em seguida compra a revista e a transforma em editora. Publica em 1917, seu primeiro livro "Urupês", que esgota sucessivas tiragens. Transforma a Revista em centro de cultura e a editora numa rede de distribuição com mais de mil representantes. 

No dia 20 de dezembro de 1917, publica no jornal O Estado de São Paulo, um artigo intitulado "Paranoia ou Mistificação?", onde critica a exposição de Anita Malfatti, pintora paulista recém chegada da Europa. Estava criada uma polêmica, que acabou se transformando em estopim do movimento modernista. 

Monteiro Lobato, em sociedade com Octalles Marcondes Ferreira, funda a "Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato". Com o racionamento de energia, a editora vai à falência. Vendem tudo e fundam a "Companhia Editora Nacional". Lobato muda-se para o Rio de Janeiro e começa a publicar livros para crianças. Em 1921 publica "Narizinho Arrebitado", livro de leitura para as escolas. A obra fez grande sucesso, o que levou o autor a prolongar as aventuras de seu personagem em outros livros girando todos ao redor do "Sítio do Picapau Amarelo". Em 1927 é nomeado, por Washington Luís, adido comercial nos Estados Unidos, onde permanece até 1931. 

Como escritor literário, Lobato destacou-se no gênero "conto". O universo retratado, em geral são os vilarejos decadentes e as populações do Vale do Parnaíba, quando da crise do plantio do café. Em seu livro "Urupês", que foi sua estréia na literatura, Lobato criou a figura do "Jeca Tatu", símbolo do caipira brasileiro. As histórias do "Sítio do Picapau Amarelo", e seus habitantes, Emília, Dona Benta, Pedrinho, Tia Anastácia, Narizinho, Rabicó e tantos outros, misturam a realidade e a fantasia usando uma linguagem coloquial e acessível. 

José Renato Monteiro Lobato morreu no dia 5 de julho de 1948, de problemas cardíacos. 

Fonte da biografia: e-biografias 

Monteiro Lobato


Monteiro Lobato em 1920 (aproximadamente). Foto: Coleção Novo Século [Editora Abril] / via Wikimedia Commons

Monteiro Lobato


              Por Daniel Santos de Castro


José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, em 1882. Homem de grande diversidade e talento foi considerado gênio e pioneiro da literatura infanto-juvenil. Formou-se em advocacia por imposição do avô, o Visconde de Tremembé. Contudo, sua vocação era mesmo as artes: pintura, fotografia e o mundo das letras e, assim, os “melhores frutos da fazenda” de sua propriedade, foi o livro Urupês (1818). Esta obra apresenta o Jeca Tatu personagem parasitado por um “jardim zoológico”, sendo “papudo, feio, molenga, inerte".
Estas publicações tiveram como propósito, apesar de serem contos infantis, ser um instrumento de luta contra o atraso cultural e a miséria do Brasil. Tornou-se editor da empresa “Companhia Gráfico-Editora Monteiro Lobato", lançando as bases da indústria editorial no Brasil e dominou o mercado livreiro. Entretanto, sem apoio governamental aliado à crise energética a editora veio à falência.
Monteiro Lobato muda-se para o Rio de Janeiro e prossegue em sua carreira de escritor, criando o Sítio do Pica Pau Amarelo, que o celebrizou. Em 1920 lança A Narizinho Arrebitado, leitura adotada nas escolas. Traz para a infância um rico universo de folclore, cultura popular e muita fantasia. Publica “Reinações de Narizinho” (1931), “Caçadas de Pedrinho” (1933) e “O Pica-pau Amarelo” (1939). Os “Trabalhos de Hércules” concluem uma saga de 39 histórias e quase um milhão de exemplares vendidos. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, como francês, italiano, inglês, alemão, espanhol, japonês e árabe.
Lobato concorreu em 1926 a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, não foi escolhido. Recentemente, surge uma polêmica sobre preconceito racial quando seu livro “O Presidente Negro” (1926), descreve um conflito racial, após a eleição de um negro para a presidência dos EUA e, também a personagem negra, Tia Nastácia, comparada a uma macaca ao subir numa árvore.
Em 1927, reside por 4 anos nos Estados Unidos em missão diplomática, como adido comercial e pôde constatar a lentidão do desenvolvimento brasileiro mediante o gigantesco progresso americano. De regresso para o Brasil inaugura várias empresas de ferro e petróleo para fazer perfuração, no intuito de desenvolver o país, economicamente. Escreveu dois livros “Ferro” (1931) e “O Escândalo do Petróleo” (1936), neste documenta os enfrentamentos na busca de uma indústria petrolífera independente. A política do governo de Getúlio Vargas era “não perfurar e não deixar que se perfure” proibiu e recolheu os exemplares disponíveis. Por contrariar interesses de multinacionais foi preso em 1941, no Presídio Tiradentes, onde ficou por 6 meses. Saiu da prisão, mas continuou perseguido pela ditadura do Estado Novo.
Lobato ainda foi perseguido pela Igreja Católica quando o padre Sales Brasil denunciou o livro “História do Mundo Para as Crianças” como sendo o “comunismo para crianças”. Em 1947 escreve a história de “Zé Brasil”, panfleto que percorreu o país de norte a sul, acusando o presidente Dutra de implantar no Brasil uma nova ditadura: o “Estado Novíssimo”.
Monteiro Lobato concedeu uma entrevista à Rádio Record no dia 2 de julho de 1948, dois dias antes de morrer, pobre, doente e desgostoso, aos 66 anos de idade. Como ativista político e na contramão dos interesses dominantes, encerrou a entrevista com a frase “O Petróleo é nosso”! Frase mais do que nunca repetida no Brasil. Foi um personagem brasileiro tão ilustre e importante o cortejo de seu velório foi acompanhado por 10 mil pessoas, entoando o Hino Nacional.

Algumas Obras
  • Urupês
  • Cidades mortas
  • Idéias de Jeca Tatu
  • Negrinha
  • Ferro
  • A menina do narizinho arrebitado
  • Fábulas de Narizinho
  • Narizinho arrebitado
  • O Saci
  • O marquês de Rabicó
  • O noivado de Narizinho
  • As aventuras de Hans Staden
  • O Gato Félix
  • Peter Pan
  • Reinações de Narizinho
  • O pó de pirlimpimpim
  • Caçadas de Pedrinho
  • Novas reinações de Narizinho
  • Emília no país da gramática
  • Aritmética da Emília
  • Geografia de Dona Benta
  • Dom Quixote das crianças
  • Memórias da Emília
  • Serões de Dona Benta
  • O poço do Visconde
  • Histórias de Tia Nastácia
  • O museu da Emília
  • O Pica pau Amarelo
  • O minotauro
  • Os doze trabalhos de Hércules
Referências bibliográficas:
RUSSO, Jr Carlos. "O petróleo é nosso", as derradeiras palavras de Monteiro Lobato. Disponível em http://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/o-petroleo-e-nosso-derradeiras-palavras-de-monteiro-lobato-21532/.
LOBATO, Monteiro. Idéias de Jeca Tatu. São Paulo: Globo, 2008.

Criança_voz e comando

'Dar voz à criança não pode significar que ela esteja no comando', dizem psicólogas

As cenas são até frequentes: crianças que reinam em seus lares e alteram completamente a rotina – e o tempo de sono – dos pais, além de definir o que entra e o que sai do carrinho do supermercado ou se vai ser possível fazer a tão planejada viagem.
Colocar os filhos em um pedestal – a psicanalista Marcia Neder chama isso de infantolatria – tem mostrado seus dissabores e reveses já há algum tempo. Principalmente se o assunto for limites – ou falta de limites, assim como a dificuldade com as frustrações e o desrespeito aos pais.
O que teria ocorrido em nossa cultura para que as situações acima se tornassem tão conhecidas e angustiantes? A estrutura familiar se tornou mais democrática, as mulheres conquistaram direitos e, perante a lei, as crianças deixaram de ser objetos de tutela e passaram a ser sujeitos de direito. Ainda que essas transformações estejam em processo, houve muitas conquistas — e somos todos cidadãos diante do Estado.
O efeito disso é uma ampliação da liberdade de fazer escolhas e ter uma vida mais criativa e satisfatória, explicam as psicólogas Lulli Milman e Julia Milman, autoras de A vida com crianças, lançado recentemente pela editora Zahar. Porém, há também efeitos que demandam atenção, como a sensação de desorientação na criação dos filhos e uma certa horizontalização das relações, o que abre caminho para que se deixem na mão de crianças decisões que devem caber aos pais.
“As crianças precisam dos adultos para viver, física e subjetivamente”, enfatizam Lulli e Julia, que são mãe e filha.
“Dar voz à criança não pode significar que ela esteja no comando. Ela não tem instrumentos físicos nem psíquicos para assumir esse papel; então, o adulto deve se responsabilizar diante da criança. De outro modo, ela se sente desamparada.”
As crianças são capazes de entender a importância das regras a partir da observação de que os adultos também estão submetidos a isso
No livro, as autoras levantam questões, dão dicas e sugestões sobre assuntos variados. Todos eles têm em comum os cuidados de um adulto com as crianças: guarda compartilhada; vantagens e desvantagens de creches, avós ou babá; o tempo de uso de chupeta e mamadeira; amamentação; dormir com ou sem os pais; problemas de alimentação; bons modos à mesa; brigas; castigos; sexualidade infantil; falar de sexo com crianças; bullying e a relação com celulares e internet.

Em um contexto de queixas frequentes quanto ao desrespeito dos filhos, as estratégias de educação e punição são repensadas o tempo todo, em substituição às surras e ações muito severas, bastante utilizadas no passado.
Segundo as psicólogas, é esperado que a criança queira colocar seus desejos, preferências, insatisfações e resistências ao modo do adulto educar e cuidar. O problema é quando as imposições da criança representem perigo, não sejam possíveis de realizar ou destoem do planejamento do adulto.
“Nesses momentos é preciso ser firme e fazer valer a sua palavra. A relação de respeito caminha junto com a construção da confiança.”
Não se pode ignorar, porém, as diversas situações em que os próprios adultos infringem as regras de convivência e as limitações (não podemos fazer tudo que queremos). É o famoso exemplo vindo dentro de casa. Se a criança testemunha os pais burlando uma regra, é natural que ela repita o que foi feito.
“A convicção do adulto de que não é possível satisfazer todos os nossos desejos é muito importante na transmissão dos limites para as crianças. Elas são capazes de entender a importância das regras a partir da observação de que os adultos também estão submetidos a isso.”
Falta de tempo
O tempo de convívio com os filhos, muitas vezes sacrificado pelos compromissos com o trabalho e por uma rotina cheia de atividades do adulto, é outro problema recorrente nas relações familiares. Muitas vezes a compensação aparece na forma de um brinquedo novo, ou de um afrouxamento nas broncas necessárias.
As psicólogas são enfáticas: o tempo compartilhado não é substituído pelos presentes e não compensa a ausência dos adultos responsáveis pela criança.
“Vivemos em um mundo de consumo exacerbado e da falsa impressão de que é possível substituir as relações humanas pela relação com as coisas, como se a satisfação viesse do que temos.”
O novo brinquedo, até então desejadíssimo, fica desinteressante em pouco tempo.
“Basta pensarmos em nós mesmos para saber por quanto tempo e qual a qualidade da satisfação que temos quando adquirimos algum objeto, mesmo que estivéssemos desejando muito tê-lo. Com a criança também é possível observar facilmente quanto tempo dura a interação com um novo brinquedo.”
Para as autoras, a presença efetiva e afetiva do adulto é imprescindível para o desenvolvimento saudável da criança.
Criar os filhos é, portanto, uma missão declaradamente difícil e longe da idealização que vemos na propaganda e nas novelas. Certamente não é automático ou sem influência do dia a dia de cada adulto. “É preciso pensar nas escolhas que fazemos, no nosso investimento [afetivo] no filho que escolhemos ter”, completam as psicólogas.
Se o tempo não é problema para algumas famílias, a resistência aos programas familiares é um obstáculo para outras. Compartilhar momentos prazerosos pode ser uma solução, sugerem as autoras.
É muito difícil obrigar um filho adolescente a estar junto se não forem promovidos momentos prazerosos, elas explicam. Os pais devem descobrir o que é bom fazer junto. Comer? Ver um filme? Ir à praia? “À medida que estes momentos são estabelecidos, a repetição começa a ser desejada”, demonstram.
Buscar os motivos da insatisfação em estar juntos, especialmente quando há adolescentes, é importante. “É preciso ouvir os filhos sobre o que têm vontade de fazer, mas não deve deixar que a decisão fique só na mão deles”, ponderam.
“É claro também que existem momentos em que é necessário fazer um esforço. Todos querem ir à praia menos o filho caçula? Infelizmente, terá de se adequar. A adolescente não sai do quarto? Será preciso insistir mais um pouco.