terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Praça Maria Iraci dos Santos_Parque Via Norte_Campinas-SP_Biografia

Da esquerda para a direita: Edna, Maria, Margarete, Mônica, Edelmo (faltando Emília que mora em MS), Expedito

Uma pequena parte da família de Maria Iraci

Mônica Santos discursando e excelentíssimos políticos

Excelentíssimo prefeito Jonas Donizette antes de descerrar a placa

Excelentíssimo prefeito Jonas Donizette já tendo descerrado a placa

Excelentíssimos: Vereador Jorge da Farmácia e Deputada Estadual Célia Leão com familiares de Maria Iraci  

Mônica Santos e placa da sua mãe Maria Iraci

Mônica Santos e totem imortalizando o nome de sua mãe

Praça Maria Iraci dos Santos - quatro mil metros quadrados


Minha mãe, d.Maria Iraci dos Santos, muito orgulho, sim!!!

LEI Nº 10.695 DE 27 DE NOVEMBRO DE 2000


DENOMINA PRAÇA MARIA IRACI DOS SANTOS UMA PRAÇA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE CAMPINAS

A Câmara Municipal aprovou e eu, Prefeito do Município de Campinas, sanciono e promulgo a seguinte lei:
Art. 1º Fica denominada Praça Maria Iraci dos Santos, a Praça 09 do loteamento Parque Via Norte, contornada pelas ruas 63, Renê Raul de Paula, João Batista Bulhões Dias e João Purchio.Art. 1º
 Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.Art. 2º 

Paço Municipal, 27 de Novembro de 2000
FRANCISCO AMARAL
Prefeito Municipal
Autoria: Vereador Carlos F. Signorelli
PROTOCOLO P.M.C. Nº 24.410-00
Publicada no Diário Oficial do Município de Campinas em 28/11/2000 
                                                                                                                  Lei municipal n-10695-2000

BIOGRAFIA (sucinta): MARIA IRACI DOS SANTOS (in memorian)
Na data de hoje, dezenove de fevereiro de dois mil e dezesseis, às nove horas, pela gestão do então excelentíssimo prefeito da cidade de Campinas-SP- Jonas Donizette, com apoio do Vereador Jorge da Farmácia, da Deputada Estadual Célia Leão dentre outros políticos e secretários que lá estavam, num domingo de verão e com muito sol, houve a entrega (reinauguração) da Praça Maria Iraci dos Santos.  A praça foi revitalizada e estava muito bonita.

Primeiramente devemos agradecer ao senhor Francisco Toledo, amigo de caminhada de Dona Maria Iraci, pois foi dele a ideia e mobilização para colocar o nome dela num espaço público. Foi então que no ano de 2000 a praça foi entregue aos moradores do Parque Via Norte. Receba nosso agradecimento.

 Talvez muitos se perguntem o porquê de algumas pessoas terem seus nomes imortalizados numa rua, avenida, travessa, praça e outros mais.

Bem sabemos que em nosso país existem milhares de logradouros com os mais variados nomes de políticos, escritores, artistas, religiosos, cientistas e também de anonimatos. Bem como outros relacionados a datas históricas, acontecimentos e a fatos importantes.

Todavia vamos nos ater a discorrer sobre a senhora dona Maria Iraci dos Santos, que viveu e partiu no “anonimato”, a quem poderemos dizer que não era nenhuma personalidade conhecida nacionalmente ou mundialmente. Era apenas, muitíssimo, conhecida e reconhecida no bairro onde residia (Parque Via Norte – Campinas-SP) e adjacências dessa nossa grande cidade de Campinas. 

Maria Iraci dos Santos nasceu em Rancharia, estado de São Paulo, em pleno inverno, precisamente no dia quinze de setembro de mil novecentos e quarenta e cinco. Filha de Sizino Francisco Rosa dos Santos, comerciante, e da dona de casa Emília Rosa dos Santos – ambos também in memorian.

Era a primogênita de uma família unida e numerosa, sim, eram onze irmãos (Maria Iraci - in memorian, Manoel Francisco - in memorian, Antônio Juarez, José Antonio - in memorian, Maria Graciosa, Sizenando, Edson, Estefânia, Josefa Gilda, Josefa Aparecida e Elma Francisca).

Maria Iraci, apesar de ter nascido aqui, no estado de São Paulo, não residiu sempre neste estado. Morou parte de sua “curta vida” no Estado do Paraná – nas cidades de São Luiz, Mariluz, Ercilândia, Iporã e Assis Chateaubriand, e foi lá no Paraná que também se casou com Expedito Avelino dos Santos, em mil novecentos e sessenta e quatro, em São Luiz, Paraná.

Ainda no estado do Paraná, ela e Expedito, tiveram sete filhos (Edson - in memorian, Maria do Carmo, Edna Aparecida, Rosa Mônica, José Edelmo, Maria Margarete e Emília Célia).

Sendo que o primogênito viveu apenas por um ano, devido uma doença chamada “Mal de Simioto” - doença desconhecida naquela época e consistia basicamente pela alergia ao leite de vaca.  

Os seis filhos – atualmente todos casados 
- (Maria do Carmo - casada com José Augusto Nimtz – a D. Maria Iraci teve a alegria de assistir o primeiro matrimônio da sua família. Sim, a filha "primogênita" foi a primeira a se casar, como também a primeira a anunciar que em seu ventre havia outra vida, ou seja, a primeira neta iria chegar. Tais motivo foram de muita comoção e sentimentos inenarráveis {dessa união tem as netas: Ana Carolina e Ana Luíza}; 
- Edna Aparecida - casada com Sandro Henze {dessa união tem as netas: Vitória e Mariana};          
Rosa Mônica - casada com Reginaldo de Carvalho {dessa união tem os netos: Beatriz e Leonardo}; 
- José Edelmo - casado com Renata Rosa {dessa união teve a neta: Gabriela}
- Maria Margarete - casada com José Roberto Barbosa {dessa união tem os netos: Júlia e Davi}; 
- Emília Célia - casada com Max Taylor Rosa {dessa união tem os netos: Laura e João Victor}).

Ao todo foram onze netos, dos quais ela conheceu somente a primogênita no dia em que esta nascera (Ana Carolina, Gabriela, Beatriz, Leonardo, Vitória, Ana Luiza, Julia, Mariana, Laura, Davi e João Victor).

Do Paraná restaram saudades e resquícios de significativas perdas. Plantavam, e quando a lavoura estava linda e quase pronta para a colheita lá se vinha à geada ou as fortes tempestades, permeando perdas da lavoura e contabilizando inúmeros prejuízos. 

Saíram do campo – fazendas e sítios – e, ainda no Paraná, foram morar numa outra cidade - Assis Chateaubriand. Agora no centro urbano.   No entanto não houve significativas expectativas com relação à prosperidade.

Assim em meados de mil novecentos e setenta e oito, Maria Iraci, chegou com os filhos na cidade de Campinas-SP. O marido – Expedito – já estava residindo na cidade, pois viera na frente de todos para conseguir emprego e fazer a locação de uma casa para a família morar.

A família nesta cidade chegando, foram residir no bairro Jardim Eulina. Era um bairro com boa infraestrutura e perto de escolas para os filhos.

Maria Iraci amou tanto Campinas que era como se tivesse sido sua terra natal. Ela dizia nunca mais sair daqui. Quanto ao Paraná somente iria para matar saudades e rever os familiares e amigos que lá ficaram.

Então com essa família numerosa era complicado apenas o marido ter emprego. Por isso Maria Iraci empregou-se também. Foi faxineira, servente e de serviços gerais. Mas também, ainda no Paraná, havia sido professora do curso primário.

Com tantos filhos em idade escolar era difícil manter as despesas, principalmente o aluguel do imóvel.

Daí, Maria Iraci, prontamente saiu à procura de outra casa para alugar. Foi então que a família se mudou para o Parque Via Norte. Isso em meados de mil novecentos e oitenta. O bairro tinha pouquíssimas construções. Não havia pavimentação e nem iluminação nas vias públicas.

 Então com o jeito dela de pensar positivamente acabou convencendo a família que lá seria um bairro bom de morar, e que tudo ficaria bem!  

Portanto nesse ficar bem, ela se empenhou em buscar parcerias para ter melhorias no bairro, porque tinha o sonho de ver determinante progresso ali. Preferencialmente contando com linha de ônibus, escola, creche, posto de saúde, comércio e sem dúvida Igreja Católica Apostólica Romana. Porém vale salientar que apesar de ser ela católica, respeitava todas as crenças e religiões.

Na busca incessante por melhorias no bairro, foi conversando com um e outro morador. Logo ganhou aliados pelas mesmas causas. Começaram as reuniões nas casas dos moradores, e rapidamente se formou a CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base). 

Os encontros consistiam em se aprofundar nas palavras de Deus, tendo o apoio dos párocos da matriz Santos Apóstolos (padre Rúbio, padre Pedro Carlos Cipollini e outros como o padre Benedito Ferraro e com o bispo Dom Gilberto – este até chegava arrancar mandioca no quintal de casa junto com ela).

Foi ela também ordenada Ministra da Palavra (na ausência do pároco, presidia a Celebração da Palavra e distribuía a Comunhão).  Fez parte ativamente das pastorais da Saúde, Carcerária e Operária.

Na paróquia Santos Apóstolos ela também foi homenageada. Uma sala trás o seu nome (Sala Maria Iraci dos Santos), como uma maneira de agradecimento pelo seu trabalho. Também foi criado um prêmio anual com o seu nome (Prêmio Maria Iraci dos Santos). Este prêmio é entregue para aquela pessoa que se destaca na comunidade por trabalhos voltados ao bem coletivo.

Ela promoveu inúmeras quermesses no intuito de angariar fundos para a construção da igreja.

Depois de algum tempo, ela escolheu o lugar para tal construção, e em concordância com os demais membros da CEB’s decidiram “invadir” um terreno, onde houve uma caminhada (saindo da paróquia Santos Apóstolos até o local escolhido), e em seguida foi colocada – simbolicamente – uma pedra fundamental. Atualmente no local está a comunidade Nossa Senhora do Perpetuo Socorro (Parque Via Norte).

Não, o nome escolhido por Maria Iraci não foi Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, porém com a construção do Santuário levando o nome Nossa Senhora de Guadalupe, outros membros optaram por trocá-lo, e após eleição ganhou Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. 

Na parte política, não foi candidata a nenhum cargo público, porém estava envolvida com projetos sociais.

Teve contato com o prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, João Rocha, Renato Simôes e outros que agora não há recordação dos nomes.

Ficamos sabendo que estava em contato com pessoas da Prefeitura Municipal de Campinas (assistentes sociais e outros) para iniciar algum projeto voltado à educação – creche – e oficinas artesanais no bairro.   

Com todo esse movimento frenético ela jamais poderia ter partido sem tê-los concluídos. Todavia afazeres não é fator determinante pra se viver mais. Então naquele segundo dia de dezembro de mil novecentos e oitenta e nove ela estava muitíssimo feliz, eufórica pela chegada da neta primogênita Ana Carolina.

No início da noite ministrou a celebração eucarística, na qual ela disse na homilia que daria sua vida em prol de um mundo mais igualitário e fraterno.

Presságio ou não, poucas horas depois, precisamente às vinte e duas horas e dezoito minutos, no Hospital Beneficência Portuguesa, nesta cidade de Campinas-SP, Dona Maria Iraci dos Santos, veio a óbito, aos quarenta e quatro anos

Tendo causa da morte hipertensão arterial e insuficiência cardíaca. Na verdade quando terminou de ministrar a Celebração, naquele fatídico sábado, do dia dois de dezembro, ela se juntou aos amigos numa festa. Lá passou mal – pressão arterial alta. Foi levada para sua casa, e de lá partiu para o hospital. 
No trajeto faleceu nos braços da filha Edna e do seu esposo Expedito. Sim, foi uma perda repentina. Um choque difícil de assimilar.

Ela se foi, e deixou um vazio imenso. Sim, a Dona Maria Iraci, como era conhecida, era de hábitos simples. Sorriso aberto e franco. 
O seu discurso era sempre favorável à igualdade, a justiça, a verdade, a ética, a fraternidade. 
Tudo o que se pensasse em prol de melhoria ao próximo ela estava envolvida. O ter era necessário apenas para diminuir mazelas que assolavam o bairro, a cidade, o país. Sobretudo o ser era o fundamental em sua vida, e era exatamente isso que ela transmitira.
 Sendo assim vivia em partilha, ajuda, solidariedade e a serviço da igreja.
 Ela não era de muito discurso e sim de ações, porque pra ela toda fé – oração – sem ação é morta.

Diante de dúvidas e problemas ela dizia: “o Senhor é o meu pastor e nada me faltará”.

Provavelmente esse poema da Cora Coralina - que citarei abaixo - se enquadra na pessoa que a D. Maria Iraci foi, e certamente é, pois continua a residir nos corações daqueles que com ela conviveram, conheceram e aprenderam a amá-la.

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.  

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” 

Que esta singela praça seja pra sempre símbolo de vida e alegria a todos que por ela passar. Sinalizando vida e movimento.

É isso, descanse em paz e vele por todos nós, Dona Maria Iraci ou simplesmente Dona Iraci.

Minha amada mãe, te amarei por toda a minha vida. Levo no peito a certeza incerta de que um dia nos encontraremos, nem que seja apenas para um abraço, apenas um abraço!
                                                                                 
                                                                                                        (Mônica Santos)   

Essa música é pra você - senhora minha mãe. 
Musica_Banda Catedral_A Tempestade e o Sol

A vida é frágil e viver
É um lindo momento
Quando se sabe amar
Notar a poesia perdida
No tempo rebuscar
Num eterno acreditar
Será que o sonho acabou?
Será que o que somos se foi?
Sei que a tempestade dará seu lugar a um dia de sol

Tenho certeza que vou te encontrar
Não sei o dia e a hora
Mas sei o lugar
Sei que você está bem
Mesmo assim
Isso não me impede de chorar

Os nossos momentos
As nossas ideias
Presente em todas as canções
O que nós sentimos
Os nossos desejos seguirão
Em nossos corações
Você foi tão cedo
A vida é um mistério
E ela não diz porque
Mas tua semente hoje está
Presente e vai florescer

Tenho certeza que vou te encontrar
Não sei o dia e a hora
Mas sei o lugar
Sei que você está bem
Mesmo assim
Isso não me impede de chorar


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