Para que a biblioteca cumpra a função de expandir o conhecimento, é preciso diversificar o acervo e torná-la um ambiente de descobertas
11/07/2013 17:51
Texto Ana Rita Martins
Texto Ana Rita Martins
Ter intimidade com o acervo e usar estratégias corretas potencializa o uso da biblioteca
Apesar de não ser o responsável pela organização das prateleiras, cabe ao professor conhecer a variedade de títulos e materiais disponível nas bibliotecas escolares para, como um planejamento eficiente e estratégias pensadas, enriquecer o ensino dos conteúdos curriculares. "O docente deve procurar saber quais são as possibilidades para a sua disciplina. Essa etapa vai facilitar a discussão sobre o formato e o papel das atividades", afirma Lucila Martínez, especialista que implementou políticas da área para governos latino-americanos pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Segundo ela, com a correta utilização das obras, é possível expandir o conhecimento da turma e ampliar os horizontes dos estudantes, que sentirão necessidade de acessar outras estações, como bibliotecas públicas. "Também é possível valorizar a produção própria dos alunos, que vão ser representados entre os autores tradicionais, e estimular a leitura pelo prazer, em rodas de leitura, por exemplo", complementa a especialista.
Pesquisas feitas pelo governo federal nos últimos anos já detectaram uma relação clara entre o uso frequente do espaço e o bom desempenho dos estudantes. "A biblioteca escolar bem utilizada funciona como uma potente ferramenta para o desenvolvimento do aluno, de sua autonomia intelectual e também do processo de ensino e aprendizagem", afirma Marcelo Soares, diretor de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para a Educação Básica, do Ministério da Educação (MEC).
Por meio de livros, mas também de revistas, mapas, atlas e materiais multimídia, o educador de todas as disciplinas pode ampliar a bagagem das crianças, ensinar e fazê-las tomar gosto pelo conhecimento e pela leitura. Confira, a seguir, as seis estratégias fundamentais para utilizar a biblioteca escolar de forma mais eficaz com a turma.
Pesquisas feitas pelo governo federal nos últimos anos já detectaram uma relação clara entre o uso frequente do espaço e o bom desempenho dos estudantes. "A biblioteca escolar bem utilizada funciona como uma potente ferramenta para o desenvolvimento do aluno, de sua autonomia intelectual e também do processo de ensino e aprendizagem", afirma Marcelo Soares, diretor de Políticas de Formação, Materiais Didáticos e de Tecnologias para a Educação Básica, do Ministério da Educação (MEC).
Por meio de livros, mas também de revistas, mapas, atlas e materiais multimídia, o educador de todas as disciplinas pode ampliar a bagagem das crianças, ensinar e fazê-las tomar gosto pelo conhecimento e pela leitura. Confira, a seguir, as seis estratégias fundamentais para utilizar a biblioteca escolar de forma mais eficaz com a turma.
É fato que as bibliotecas
escolares costumam ser mais usadas nas aulas de Língua Portuguesa, mas não deve
ser assim. "Os livros de literatura são importantes, claro, mas os
professores de todas as disciplinas devem se apropriar do acervo, diversificando
o trabalho com a utilização de obras de referência (dicionários, enciclopédias
e similares), livros didáticos, paradidáticos, técnicos, científicos, materiais
audiovisuais, periódicos e jornais, entre outros", ressalta Edmir
Perrotti, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo
(USP).
Maria Delma Pereira leciona matemática no 9º ano na EE Simão Ângelo, em Penaforte, a 631 quilômetros de Fortaleza, e aplicou essa teoria para integrar a biblioteca à rotina dos alunos. "Pesquisando, vi uma boa quantidade de jornais e revistas e resolvi usar as notícias de economia para ensinar porcentagem", conta. "Eles selecionavam o índice de desempregados no estado citado pela reportagem escolhida e, com base no número da população total, calculávamos quantas pessoas estavam fora do mercado de trabalho. O processo inverso, de ver a porcentagem partindo do número citado em outra matéria, também foi feito. Usar um fato presente na vida de todos tornou a matemática mais palpável", destaca.
Para que atividade funcionasse, Maria Delma precisou planejar. Pesquisou, leu reportagens e preparou os alunos para a atividade, explicando como ela se desenvolveria antes de eles irem ao espaço.
Maria Delma Pereira leciona matemática no 9º ano na EE Simão Ângelo, em Penaforte, a 631 quilômetros de Fortaleza, e aplicou essa teoria para integrar a biblioteca à rotina dos alunos. "Pesquisando, vi uma boa quantidade de jornais e revistas e resolvi usar as notícias de economia para ensinar porcentagem", conta. "Eles selecionavam o índice de desempregados no estado citado pela reportagem escolhida e, com base no número da população total, calculávamos quantas pessoas estavam fora do mercado de trabalho. O processo inverso, de ver a porcentagem partindo do número citado em outra matéria, também foi feito. Usar um fato presente na vida de todos tornou a matemática mais palpável", destaca.
Para que atividade funcionasse, Maria Delma precisou planejar. Pesquisou, leu reportagens e preparou os alunos para a atividade, explicando como ela se desenvolveria antes de eles irem ao espaço.
Mesmo que o acervo seja
amplo, o docente precisa ter a consciência de que atividades que extrapolem a
leitura e análise das obras enriquecem o trabalho com a turma e não podem ser
esquecidas. Trazer um escritor para ler em voz alta alguma obra de autoria própria
já vista pelos alunos ou chamar um nutricionista que fale sobre a alimentação
saudável, finalizando uma pesquisa guiada nas aulas de Ciências, são formas
criativas de agregar novas e diferentes informações aos temas curriculares.
Essa ampliação do alcance da biblioteca pode também funcionar no sentido oposto, cruzando os muros das unidades de ensino. Perrotti diz que é essencial ampliar os conhecimentos acessados e incentivar nos estudantes a vontade de procurar novas fontes de dados. Por isso, o professor deve pensar em outras estações, tais como unidades públicas, museus e casas de cultura, que possam complementar ou mesmo mostrar visões inovadoras dos assuntos pesquisados (saiba quantas cidades contam com bibliotecas no quadro da página seguinte). "A partir do que se aprendeu na escola, surgem novas perguntas a serem respondidas em outros espaços que possibilitem diferentes tipos de interação. Isso é importante não só do ponto de vista da informação mas também da formação, pois é frequentando esses locais que o aluno incorpora o hábito de procurar o que deseja."
Na EE Professor Leopoldo de Miranda, em Belo Horizonte, por exemplo, a professora de Língua Portuguesa Heloisa Ferreira promove visitas a livrarias com seus alunos do 6º ao 8º ano. "Com planejamento e de acordo com o tema estudado, deixo que leiam em outro ambiente. Eles aprendem e palpitam sobre o que nos ajudaria na sala de aula", diz ela.
3. Ensinar a pesquisar para fortalecer a autonomia
A biblioteca é um local que
concentra informação e saber encontrá-la é uma competência fundamental - e deve
ser ensinada desde cedo. "Esse exercício evita a formação de alunos
dependentes do professor, que não acessam o potencial dos livros por si mesmos
e se tornam passivos em relação ao conhecimento", afirma Walda de Andrade
Antunes, mestre em Ciências da Informação e doutora em Educação, com uma tese
sobre biblioteca escolar. Para que os alunos acessem a diversidade de fontes, é
preciso colocá-los a par das regras de organização desde a Educação Infantil.
O livro Ler e Escrever - Entrando no Mundo da Escrita, da pesquisadora francesa Anne Marie-Chartier e de outros autores, diz que o ideal é expor primeiramente a criança a cantos de leitura na própria sala de aula, estimulando-as, aos poucos, a reconhecer as diferentes "famílias" de livros, como os didáticos, os de histórias e os dicionários, inclusive separando-os por suas características. Desse momento em diante, vale introduzir as formas de organização usadas normalmente (ordem alfabética, por tema etc.) para que as crianças se habituem a elas.
No Ensino Fundamental, uma atividade interessante é a do jogo do bibliotecário, em que a turma tem de achar um determinado título. Após o desafio, a professora pode questionar por que os alunos foram em determinada direção e por que encontraram a obra num determinado local e não em outro.
Saber em que prateleira cada coisa está, entretanto, não basta. É preciso acompanhar o aluno no manuseio das obras e ensinar o nome e a função das partes do livro, como índices, notas de rodapé, orelha e contracapa. Um projeto de pesquisa que abranja objetivos, justificativas, metodologia, produto final, fontes de consulta e cronograma também é importante para mostrar as fases do processo. O resultado é que, além de aprender o conteúdo, o jovem desenvolverá saberes que serão usados sempre.
O livro Ler e Escrever - Entrando no Mundo da Escrita, da pesquisadora francesa Anne Marie-Chartier e de outros autores, diz que o ideal é expor primeiramente a criança a cantos de leitura na própria sala de aula, estimulando-as, aos poucos, a reconhecer as diferentes "famílias" de livros, como os didáticos, os de histórias e os dicionários, inclusive separando-os por suas características. Desse momento em diante, vale introduzir as formas de organização usadas normalmente (ordem alfabética, por tema etc.) para que as crianças se habituem a elas.
No Ensino Fundamental, uma atividade interessante é a do jogo do bibliotecário, em que a turma tem de achar um determinado título. Após o desafio, a professora pode questionar por que os alunos foram em determinada direção e por que encontraram a obra num determinado local e não em outro.
Saber em que prateleira cada coisa está, entretanto, não basta. É preciso acompanhar o aluno no manuseio das obras e ensinar o nome e a função das partes do livro, como índices, notas de rodapé, orelha e contracapa. Um projeto de pesquisa que abranja objetivos, justificativas, metodologia, produto final, fontes de consulta e cronograma também é importante para mostrar as fases do processo. O resultado é que, além de aprender o conteúdo, o jovem desenvolverá saberes que serão usados sempre.
4. Expor a produção dos
alunos. Mas com critérios
É essencial aos estudantes entender que o material da biblioteca serve
como base para a construção do conhecimento. Mas aquilo que a turma produz
também serve como referência e pode ser exposto como fonte de consulta. Lucila
Martínez, consultora da Unesco, diz que isso precisa ser feito de forma
criteriosa. "Assim como não é qualquer material que é exposto na
biblioteca, os trabalhos dos alunos não devem ser mostrados só para que eles se
sintam valorizados. Para serem colocadas nas prateleiras, as produções precisam
ser avaliadas. Se o acervo é uma escolha pedagógica feita pela escola, baseada em critérios, os trabalhos
da turma que o formarão também merecem ser", salienta a especialista.
Karla Denise Bolson, professora de Artes do 6º ao 9º ano na EE Souza Lobo, em Porto Alegre, costuma analisar quais são os trabalhos que compilam, de forma clara e rica, os conhecimentos importantes para o grupo. "Fiz um trabalho em parceria com as professoras de Língua Portuguesa em que os alunos produziram uma seleção de contos. Eles se dividiram em grupos, escolheram uma obra e, baseados nela, reescreveram ou criaram textos novos. Dois livros ficaram especialmente bons e os expusemos", conta.
5. Ler por prazer em casa, na
escola, só ou acompanhado
Tão importante quanto
integrar a biblioteca ao estudo dos conteúdos escolares é torná-la um ambiente
onde os alunos leiam por prazer. Cisele Ortiz, coordenadora do programa
Biblioteca Ativa, do Instituto Avisa Lá, de São Paulo, diz que dar liberdade ao
estudante para ler o que quiser é criar um espaço livre de exploração da
imaginação e criatividade. Essa leitura prazerosa, no entanto, pode e deve ser
estimulada de várias formas.
Na EE Souza Lobo, a professora de Português Sandra Petrillo de Moraes, que dá aula no 4º e no 6º ano, incentiva a leitura com atividades que mostram quanto esse gesto é interessante. "Além da leitura em voz alta, costumo promover rodas de indicação de obras e debates sobre o que cada aluno está lendo. É mais interessante para o grupo que o estudante responda a perguntas coletivas sobre o livro do que pedi-lo para fazer uma ficha de leitura individual. Todos saem ganhando", conta.
Jose Luiz Goldfarb, consultor do projeto Letras de Luz, iniciativa da Fundação Victor Civita (FVC), afirma que é indispensável envolver a família dos alunos nesse processo. "Chamar os pais para frequentar a biblioteca escolar ou montar uma unidade que seja comunitária é uma forma de fazer com que a leitura saia da escola e contamine as pessoas. Precisamos estimular os jovens e formar leitores independentes para a vida."
Na EE Souza Lobo, a professora de Português Sandra Petrillo de Moraes, que dá aula no 4º e no 6º ano, incentiva a leitura com atividades que mostram quanto esse gesto é interessante. "Além da leitura em voz alta, costumo promover rodas de indicação de obras e debates sobre o que cada aluno está lendo. É mais interessante para o grupo que o estudante responda a perguntas coletivas sobre o livro do que pedi-lo para fazer uma ficha de leitura individual. Todos saem ganhando", conta.
Jose Luiz Goldfarb, consultor do projeto Letras de Luz, iniciativa da Fundação Victor Civita (FVC), afirma que é indispensável envolver a família dos alunos nesse processo. "Chamar os pais para frequentar a biblioteca escolar ou montar uma unidade que seja comunitária é uma forma de fazer com que a leitura saia da escola e contamine as pessoas. Precisamos estimular os jovens e formar leitores independentes para a vida."

Nenhum comentário:
Postar um comentário